18 Agosto 2009

Cronicas do interior


Coisa interessante é visitar casa de vó no interior. Tudo parece cena de novela das seis. Comida pronta no fogão, esperando ansiosamente para o almoço. Vizinhos que se conhecem, fofocam e conversam. Parentes e amigos que chegam sem telefonar, entram sem se anunciar e ainda sim são recebidos com um sincero sorriso de alegria. Mais interessante ainda é ouvir o carro de som anunciando a missa de sétimo dia do “seu Diquin de Souza” ou para o enterro da “Dona Maria do Chiquito” por toda a cidade, lembrando é claro, que o velório acontece em casa, e o corpo é levado em cortejo ao cemitério pelas ruas da cidade.

Fazia alguns meses que não aparecia para visitar as matriarcas. Desta vez cheguei à cidade em dia de comemoração. Festa de Reinado e tem suas características próprias. É um tributo a Nossa Senhora do Rosário, São Benedito e Santa Efigênia. Festa bonita. De verdade. Em uma cidade de pessoas Católicas Apóstólicas Romanas (ou apenas católicos “postólicos”, como dizem por aqui) tal festa mobiliza a todos. Mas o que é verdadeiramente importante nisso tudo para mim, não é a religião, mas a tradição cultural. Em raros lugares vemos a festa como deve ser.

O congado é em Minas Gerais patrimônio turístico e cultural. Como tal, tem se mostrado um tanto comercial também. É sempre noticia de telejornal grupos de congado dançando e tocando fora de época. Perfeitamente ensaiado e gravado apenas e tão somente para ser exibido na tevê. Dança e música sem qualquer conteúdo folclórico e cultural verdadeiro, genuíno. Apenas uma atração jornalistica para o povo da Capital ( tão distante dessas coisas de interior) saber que ainda existem cultos e culturas, povo, passado e tradição. Isso sim patrimônio (independentemente de fé) de cultura, de força e de gente.

Mas deixa eu contar um pouco da festa. Mas vou usar a palavra Reinado ou invés de Congado. Dentre os grupos de reinado, existem os chamados de “Corte” e os "congas". Um grupo chamado Moçambique é o mais importante congo. Sua função é louvar São Benedito e Nossa Senhora do Rosário. Ele é composto comumente de negros e levam amarrados nas canelas os chocalhos que conduzem o batuque. Este corte é o responsável por buscar o Rei e a Raínha do Reinado, responsáveis por carregar as coroas. Não sou católica. Sequer sou cristã e admito sinceramente que não conheço todos os meandros e simbolismos da festa. Mas devo declarar que o Moçambique sempre me encantou. Nunca dão as costas à Rainha e ao Rei e tem o ritmo mais gostoso de todos. Ao menos aos meus ouvidos. Desde criança aprecio os passos, o ritmo e a dedicação. Mas alem do Moçambique é importante lembrar que, na época da escravidão e pouco depois dela (talvez um pouco ainda hoje), branco não fazia batuque. Portanto, o Reinado é uma festa nascida nas senzalas e quilombos. O que faz com que esse evento seja culturalmente ainda mais rico, já que vem de um povo que foi, apesar dos pesares, capaz de manter cultura e tradição - mesmo que adaptadas - ao longo dos seculos.

Meu avô era capitão de corte. Sim existem patentes “militares” dentro dos cortes do reinado. Quando ele morreu, todos os cortes se unirão ao cortejo que o levou ao cemitério. Esse ano, um dos cortes Moçambique foi até a casa da minha avó para cantar bênçãos à casa e a ela. O capitão do corte havia sido soldado do meu avô. Ela chorou de saudades, dizendo que gostaria que ele estivesse ali.

Cultura e tradição. Família, passado e história. Como constituir-se sem isso? Como ser, sem tradição? Como crescer, sem família? Como ter história, sem cultura? Tenho sorte de ser menina de capital com raízes de interior. Tenho um passado que me resguarda (e também me condena). Tenho história. Faço parte da cultura e tradição de uma cidade inteira. Isso me faz ‘ser’ (ser como verbo no infinitivo) no mundo.

10 Agosto 2009

Complicações


As vezes me indago se não complico demais as coisas da vida. Meu falecido avô já dizia: "a vida é de uma simplicidade!" Como assim?? Todo o dia a dia são coisas preocupantes: o que comer, o que vestir, como ganhar dinheiro pra construir uma vida, como ajudar a um amigo desolado... Nada disso parece simples. O que meu avô queria dizer com simplicidade então?

Penso que deveria me preocupar menos com as coisas. Mas não posso deixar de pensar que tenho que fazer alguma coisa (não sei o que) para parar com a sem - vergonhice do congresso nacional; que preciso mostrar que maltratar animais não é uma boa e que gatos são bons companheiros; pensar em como evitar o consumo exagerado de água ou sacos plásticos é algo que não consigo deixar de fazer. Quem diria então, deixar de pensar em como tornar um mundo um lugar melhor. Sei que pensar tudo isso faz minha vida menos simples. E pior. Além de pensar em tudo, sofro por não conseguir mudar as coisar.

Admito que não tenho uma mente lá muito comum. Talvez por causa do TDAH ou talvez porque seja meio doida e idealista demais. Mas me preocupa o fato de não saber pra que serve o universo, a Terra, o que é deus e se alguma divindade existe. Como posso viver uma vida em simplicidade sem saber essas respostas importantes? E se estivermos na Matrix ou algo parecido e for tudo uma grande mentira? De que valerá uma vida simples, se irreal??

Ok,ok, você irá dizer que tudo isso é uma mera tentativa minha de me apartar da realidade ,do aqui e agora. De compreender e agir diante dos imediatos problemas e desafios que a vida me coloca. Já me disseram uma vez que eu deveria parar de pensar se meu organismo é suficientemente evoluido (no sentido Darwiniano da palavra) para sobreviver a um cataclisma ou uma mudança climatica na Terra, e deveria me preocupar mais em conseguir um emprego que me desse possibilidade financeira real de comprar um apartamento para mim. Que eu parar de sonhar com o resultado das minhas pesquisas e o premio Nobel e focar nelas, apenas nelas e em que estágio efetivamente estão.

Se meu avô estivesse vivo hoje, talvez ele me diria que eu realmente complico demais as coisas. Talvez ele me faria parar para analisar tudo de uma nova perspectiva, como pensar relativamente ao tempo: em segundos, o que eu fizer, qualquer coisa que eu fizer, já será passado e não terá mais como ser alterado. E que por isso, tudo é verdadeiramente simples. Provavelmente ele me faria ver que meus braços são pequenos demais para abraçar o mundo como eu desejo, mas que são suficientemente grandes para abraçar meu pai,minha mãe, meu irmão, namorado ou um amigo que precise ou queira um abraço meu.

Talvez, se eu me perguntar menos de onde eu vim ou pra que existo e agisse mais em função do que eu quero ser pra mim, seria capaz de enxergar a simplicidade da vida. Teria menos medos, anseios e receios pois segundos depois, tudo isso já seria parte do meu passado passado inalteravel.

Dentre tantos, esse é o meu sonho mais intenso e meu maior objetivo de vida: entender que a vida é realmente, "de uma simplicidade..."

27 Julho 2009

Escritos 2Duo, com Mil Gigas de HD

Desde que resolvi escrever crônicas, tenho tido sérios bloqueios criativos. A primeira crônica saiu rapidinho. A segunda é esta. No entanto, o backsapace do meu teclado trabalhou mais que qualquer outra tecla até agora. Acho que, de forma inconsciente, bloqueio minhas idéias, ou, maldosamente, sobreponho umas às outras e não consigo encontrar nada interessante para escrever.

Depois de pensar muito em temas e assuntos, me rendi. Não consigo escrever minha segunda crônica. Isso parece um pouco irônico, mas é a verdade. Tenho meus dedos deslizando pelo teclado criando frases sem conteúdo ou substância. E o pior, é que isso não quer dizer que eu não tenha idéias sobre o que escrever, pois tenho idéias. Só não sei onde estão.

Desde criança, sempre gostei de escrever. Meu sonho quando pequena era poder escrever tão rápido quanto a minha professora do jardim. Olhava para a caneta que corria no papel e, como num passe de mágicas, palavras e mais palavras pareciam surgir diante dos meus olhos. Me fascinavam, embora não tivesse a menor noção do que estava escrito ali. Talvez por isso aprendi a ler rápido. Para desvendar os maravilhosos garranchos dos adultos que sabiam escrever depressa.

Depois de um tempo, porém, essa coisa de escrever rápido perdeu a graça. Ficou monótono antes de eu virar adulta. A mão cansava. E com os anos que se passaram, objetos mais interessantes de promover a escrita apareceram e me chamaram atenção. Ainda me lembro da Olivetti portátil da minha mãe (até porque a tenho até hoje). Ela vinha dentro de uma maleta azul, mas suas teclas eram duras. Aprender a datilografar foi algo que não fiz. Mas apertava as teclas com força. Usava as duas cores disponíveis na época (azul e vermelho). E escrevia frases sem sentido ali também. Quando errava, passava corretivo, e, naquela época, o que eu digitava já saia impresso no papel. Não precisava configurar impressora. Era uma economia de tempo.

Desde que conheci o computador na casa de uma amiga, porém, perdi o interesse pela maquina de escrever. A Olivetti está guardada desde então. Ver aquele texto verde escrito em formato txt no MS-DOS naquele magnífico computador 286 veio mudar novamente a minha percepção da escrita. Não precisava de corretivo quanto errava e era possível errar muito. Em pouquíssimos anos, tive a oportunidade de ter um computador também. Mas eu era fina. Meu primeiro computador foi logo um Pentium I. Lançamento mais recente da Intel. Era incrível o que se podia fazer em um PC sem entrada USB, Bluetooth ou Wirelees. E era incrível a quantidade de coisas que se podia armazenar em um HD de 1Gb!! Nesse computador fantástico aprendi a digitar. E rápido. Podia finalmente escrever meus próprios textos, rápido e sem cansar a mão. Meus dedos finalmente acompanhavam minhas idéias e eu conseguia escrever como minha professora de jardim.

Depois de tanto tempo encontro-me aqui. Com o meu notebook Core 2 Duo, com 160Gb de HD e 2Gb de Ram tentando encontrar algo sobre o que escrever. Só pra poder imitar minha professora de jardim quando acendeu em mim o desejo de me comunicar através da escrita. E mesmo diante de tanta tecnologia, não sai nada. As idéias não se agrupam. Mas vou partir para uma nova tentativa. Acho que vou tentar escrever à mão.

24 Julho 2009

Crônica do Dia

Resolvi seguir a sugestão da minha psicologa e escrever uma crônica. Sobre mim. Sobre o que eu fiz e deixei de fazer por eu ser eu mesma.
Devo começar dizendo que não é lá muito facil ser eu. Mas particularmente, gosto muito. Embora esteja triste em um dia e feliz no outro. Nervosa na segunda feira ou calma e tranquila nas quintas. A verdade porém, é que eu sou TDAH. E como é dificil, estranho e depois que tudo passa, como é engraçado ser assim.
Sei que tenho mil coisas para fazer. E quero começar todas elas. Todas elas ao mesmo tempo. Não consigo entender porque não dou conta. Na minha cabeça tudo funciona tão bem. Acho que o problema é com o tempo e não comigo. Quando Chronos criou o tempo, ele não pensou muito bem. Talvez ele não tenha chegado a considerar que humanos existiriam, mas ainda assim. É muito tempo pra fazer tão pouca coisa. Por exemplo, quanto tempo a Terra levou pra se tornar o que é hoje? Bilhões de anos! Não seria mais facil fazer tudo em 7 dias como as pessoas gostariam? (Gostariam tanto que fosse assim que até já inventaram histórias sobre isso.)
Mas sei que tenho que ter paciência. Não consiguirei fazer tudo ao mesmo tempo graças a Chronos. Pelo menos não é culpa minha.
Bom, pra contar então o que acontece comigo: Estava eu lendo um artigo sobre a banalização da mentira e sua internalização como destrutividade psiquica. Não me lembro agora o nome da autora, mas é um artigo muito bacana. Passei vários dias pensando que tinha que ler o artigo, mas é estranho quando simplesmente não se sabe o que fazer.
Pois bem, Lia tal artigo pois estou elaborando um projeto de pesquisa sobre a internalização do discurso dicotômico da Guerra contra o Terror e outras coisinhas mais. Como num passe de mágicas, meu mundo mudou. Enquanto há tão poucos minutos eu era uma pessoa comum que linha um artigo, de repente, me tornei (pelo menos em meu devaneio tdah) uma ganhadora do premio Nobel. Como? Vou explicar.
Imagine a seguinte cena: uma pessoa lê um artigo sentada em uma cadeira. De repente: Fantástico mundo de Bob. Em sua mente, um mundo paralelo surge e a tira sem que perceba da leitura interessante. Ela ja visualiza o projeto pronto. Aprovado pelas comissões necessárias. Finalizado, aplaudido (de pé). Considerado por todo o mundo científico um marco no estudo da destrutividade humana, pois, a partir dele, poder-se-á ajudar o ser humano e a humanidade de uma forma geral a tornar-se menos violenta e então construir num futuro distante um mundo de equilíbrio. Por seu explendido projeto, a pessoa que teoricamente, está apenas lendo um artigo, torna-se ganhadora do premio Nobel da Paz. Ao se dar conta de que não conhece as categorias relativas ao premio Nobel, ela se pergunta se seria mesmo o Nobel da Paz ou algum outro da área das Ciências Humanas que ganharia e anota em sua mente que precisa pesquisar no Google quais são as categorias do Nobel.
De repente, olha para umas folhas de papel em cima da mesa e percebe que estava lendo um artigo. Já estava na página 10. Então, ela simplesmente pensa: "Droga, vou ter que começar a ler tudo de novo". E dá inicio à leitura novamente. Dessa vez, consegue ler o artigo, prestando atenção ao que estava lendo. E percebe que realmente, o artigo é muito interessante.
Quando termina, vai para o computador verificar as categorias do Nobel. Esquece de fazê-lo porque lembra que possui uma conta no Twitter que nunca usou e resolve começar a twittar...

22 Julho 2009

Cortei o cabelo. Mudei alguma coisa...

Não fiz muito do que tinha que fazer mas ainda dá tempo...

As férias estão acabando.... Não consegui ser a melhor de todas. Fiquei triste.

Tenho twitter....

Etc...

09 Junho 2009



Bom, infelizmente, o avião da Air France não caiu na ilha de Lost. O mistério foi parcialmente resolvido e infelizmente, para os familiares das vítimas, a realidade é muito mais triste que na ficção.

Mas voltando a falar de mim, continuo cansada, mas agora, deprimida. Depois de tanto esforço, não consegui alcançar meu objetivo de passar com 90% em todoas as matérias. Mas tudo bem. No proximo semestre me esforço mais. No entanto, ainda tenho chances de conseguir a bolsa de estudos.

Também continuo desatenta. Obvio que não como antes, mas percebo que terei que ter muito mais disciplina que imaginava e isso é a parte mais dificil. Foram muitos anos sendo desatenta e desorganizada pra conseguir mudar tudo de uma hora pra outra como tenho me pressionado a fazer. Mas não tenho outra opção. Ontem joguei R$70,00 fora errando um cartão de visitas que eu já havia enviado para impressão. Fiquei mal, fiquei triste, fiquei muito puta da vida mesmo.

Mas está tudo bem agora. Tenho boas oportunidades surgindo e parece que finalmente as coisas começam a se acertar. Meu caminho está claro, e agradeço à Ritalina, ao neurologista e à psicologa por isso, hehehehe. Agora só falta organizar horarios. Pesquisa, faculdade e trabalho caminhando juntos! E ainda sobrando tempo para namorar e passear. Tudo o que eu sempre quis.

E as responsabilidades não terminam por aí. Fui convidada para ser madrinha do BB de um dos meus primos. Presente melhor não poderia existir. É tão gratificante ter a confiança de alguem a esse ponto! Meu afilhado (ainda não sabemos, mas acreditamos que é menino) chega no fim do ano e em pouco tempo vai me chamar de Dindinha! E vai saber que poderá contar sempre comigo. Que poderá confiar em mim.

Dias felizes estão por vir!

02 Junho 2009

Help!

Help! I need somebody, help!

Estou cansada.

Mais uma vez, o site não funcionou como deveria. Algo está dando errado e eu não sei concertar. Coloquei algumas camadas no site e elas se deslocam sem a minha ordem. Não sei mais o que fazer. Mas não vou desistir. Não é o meu feitio.

Dureza. Perdi um dia inteiro e não resolvi nada. Preciso estudar Piaget, Vygostsky e Bandura. Prova na quarta e comportamento obsessivo ON. Em 30 pontos, tenho que tirar, no mínimo, 27. Preciso da bolsa para o proximo semestre. Preciso mesmo. Mas até agora, não estudei nadinha.

Sexta feira, mais exercícios e sabado uma prova. Também não estudei pra prova de sábado. Ah! Ainda tenho que começar o relatório de estagio para sábado tbm. Não sei como fazer.

E ainda por cima, tenho que trabalhar. Preciso trabalhar muito!

Rê, prometo que ficaremos felizes com dinheirinho no bolso fazendo festas e recepções.

Acho que vou começar a estudar Piaget agora... Até mais

PS.: Acho que o avião da Air France caiu na ilha de Lost.