
Passei a vida construindo castelos de areia. Construí belissimos castelos na beira do mar e me orgulhava muito deles. O problema é que tinha que impedir que as ondas os destruíssem e por isso eu lutei muito, até ficar extremamente exausta. Quando me cansei de verdade e perdi as forças que tinha para lutar contra a água, as ondas vieram e destruíram tudo. Mas eu fiquei ali, parada, de costas pro mar, tentando ainda, apenas com o desejo, impedir que meus casstelos desmoronassem. Não adiantou e as ondas quebraram em cima dos meus ombros, a água se espalhou e levou com ela todos os meus castelos. Achei que não iria suportar...
Mas quando voltavam para o mar, as ondas diziam uma coisa que eu não conseguia entender... Parei para escutar com atenção. Elas diziam que castelos de areia eram perecíveis ao tempo, ao ar e à água. Diziam que eu parasse de imaginar que aqueles castelos eram meus, que eram reais e que representavam as coisas grandes da minha vida - porque sim, era isso que eu fazia.
Resolvi escutar a mensagem das ondas. O corpo ainda dói da violência da quebra das ondas no meu ombro. E os castelos agora, realmente se foram. Mas tudo bem, porque agora não caminho mais a beira mar. Cheguei a uma estrada que me leva a uma casa de pedras. A casa é simples, mas definitivamente é a mais bonita e aconchegante que eu já vi. E o caminho que me leva a ela é verde e florido. Agora eu tenho paz.

