09 maio 2007

Castelo de Areia


Passei a vida construindo castelos de areia. Construí belissimos castelos na beira do mar e me orgulhava muito deles. O problema é que tinha que impedir que as ondas os destruíssem e por isso eu lutei muito, até ficar extremamente exausta. Quando me cansei de verdade e perdi as forças que tinha para lutar contra a água, as ondas vieram e destruíram tudo. Mas eu fiquei ali, parada, de costas pro mar, tentando ainda, apenas com o desejo, impedir que meus casstelos desmoronassem. Não adiantou e as ondas quebraram em cima dos meus ombros, a água se espalhou e levou com ela todos os meus castelos. Achei que não iria suportar...


Mas quando voltavam para o mar, as ondas diziam uma coisa que eu não conseguia entender... Parei para escutar com atenção. Elas diziam que castelos de areia eram perecíveis ao tempo, ao ar e à água. Diziam que eu parasse de imaginar que aqueles castelos eram meus, que eram reais e que representavam as coisas grandes da minha vida - porque sim, era isso que eu fazia.


Resolvi escutar a mensagem das ondas. O corpo ainda dói da violência da quebra das ondas no meu ombro. E os castelos agora, realmente se foram. Mas tudo bem, porque agora não caminho mais a beira mar. Cheguei a uma estrada que me leva a uma casa de pedras. A casa é simples, mas definitivamente é a mais bonita e aconchegante que eu já vi. E o caminho que me leva a ela é verde e florido. Agora eu tenho paz.

01 maio 2007

Sem título


Uma das coisas que eu mais detesto no ser humano é essa capacidade que temos de criar laços afetivos. Essa coisa de ter sentimentos por outras pessoas. Ainda se fosse tudo recíproco, ainda vai, mas não é. Então, alimentamos sentimentos que, da forma mais egoísta do mundo são pisoteados.


Burros somos nós, que alimentamos sentimentos.